Operação Marias resulta em 23 prisões de suspeitos de violência contra a mulher

23/08/2019 10h37 - Atualizado em 23/08/2019 10h39

Foi realizada, nesta quarta-feira (21), a 5ª Fase da Operação Marias. A equipe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (DIV-DEAM) cumpriu 23 mandados de prisão e de busca e apreensão em desfavor de suspeitos de crimes relacionados à violência doméstica. A ação foi realizada na Grande Vitória e na região de Aracruz, no interior do Estado.

Os resultados da operação foram divulgados na coletiva de imprensa ocorrida no auditório da Chefatura da Polícia Civil. Participaram da reunião o delegado-geral da Polícia Civil, Dr. José Darcy Arruda, a chefe da DIV-Deam, delegada Claudia Dematté e a delegada titular da Deam de Aracruz, Amanda Barbosa.

“Neste ano, 844 pessoas foram presas por crimes relacionados à violência contra a mulher. Esse número está se aproximando, de fato, do índice do ano passado, mas isso advém de um trabalho profícuo das Polícias, do Poder Judiciário, do Ministério Público e todas as ações que são feitas nesse sentido, faz com que a mulher tenha coragem de denunciar o seu agressor. Então, a subnotificação está perdendo para as ações e, consequentemente, as prisões estão sendo feitas”, relatou o delegado-geral.

O delegado Arruda acrescentou que foram 142 presos em operações por mandado de prisão preventiva em todas as Operações Marias. “Este também é um dado importante, porque quando nós prendemos um agressor preventivamente, nós antecipamos a possibilidade dele praticar o feminicídio. Por isso, essas prisões são muito importantes para nós, elas são qualificadas porque nós estamos, consequentemente, evitando mortes e preservando vidas”, disse Arruda.

A chefe da DIV-Deam, delegada Claudia Dematté, reforçou o empenho da Divisão nesta que já é a quinta operação realizada este ano. “Nossa ação continua em andamento e, por isso, até o momento já são 23 autores de violência. Estamos trabalhando com duas vertentes. Com a prevenção, pois se faz necessária a desconstrução de valores machistas da sociedade, então nós temos que trabalhar com campanhas educativas. E também estamos atuando na repressão, ou seja, os homens que insistirem em praticar a violência contra a mulher em nosso estado não sairão impunes”, declarou.

Suspeito prepara cova com premeditação de matar ex-companheira

A delegada Claudia Dematté ressaltou que um dos casos ocorridos no município de Vila Velha chamou a atenção da equipe pela forma que o suspeito articulou o crime. “O detido não aceitava o fim do relacionamento com sua companheira. Eles não estavam morando juntos, mesmo assim insistia em reatar, achava que ela era propriedade dele. O suspeito foi até a residência em que ela estava morando, entrou de maneira sorrateira, agrediu-a fisicamente, lesionou-a e a ameaçou dizendo que iria matá-la. Inclusive disse que havia cavado a cova dela, na qual iria enterrá-la”, narrou.

A chefe da Divisão disse que a Polícia Militar foi acionada e que o homem se evadiu. “Foi registrado o boletim de ocorrência, a vítima foi acolhida e encaminhada para uma casa abrigo, onde teve sua vida resguardada pelo Estado. A partir das informações, as equipes iniciaram as diligências e localizaram a cova que o suspeito havia cavado, com o objetivo de enterrar sua ex-companheira, quem ele pretendia assassinar”, relatou.

De acordo ainda com a delegada, a equipe da perícia foi ao local e fez uma análise da cova, e concluiu que realmente dava para enterrar um corpo. “A prisão preventiva do autor desse crime foi realizada e a vida de uma mulher foi salva. Com uma ação rápida e preventiva da nossa Divisão, conseguimos evitar um feminicídio e continuaremos agindo”, afirmou Claudia Dematté.

 

Sete prisões em Aracruz pelo crime de estupro

As ações realizadas em Aracruz contaram com o apoio do 5º Batalhão da Polícia Militar. A titular da Deam do município, a delegada Amanda Barbosa, informou que a ação teve sete suspeitos presos pelo crime de estupro. “Infelizmente é um número muito grande de violência contra a mulher e nós não toleramos esse tipo de comportamento. Assim, quando chega ao conhecimento da autoridade policial, nós investigamos e quando há condenação, dependendo a periculosidade do autor, o juiz decreta a sua prisão preventiva. E nós não medimos esforços para excluir esse suspeito da sociedade, porque sabemos que ele é um risco para a vítima, então agimos o quanto antes”, declarou.

 

Orientação da Polícia Civil para as vítimas

A delegada Amanda Barboza alertou que as agressões começam gradativamente com o desrespeito. “Ele começa a limitar a liberdade da vítima, querendo controlar os amigos, os contatos do celular, os locais em que ela pode frequentar, decidir as vestes que ela usa ou o corte de cabelo, impor que ela não pode estudar ou trabalhar fora. Então, fiquem atentas a esse tipo de comportamento, ele começa assim e depois vem a violência verbal. A vítima acha que um insulto pode ser perdoado, porque foi em um momento de ira e se responsabiliza muito. ”

A titular da Deam em Aracruz ainda salientou. “Nada justifica a violência, quanto antes a vítima se afastar desse tipo de relacionamento mais ela vai preservar a própria integridade. Quanto mais tempo passa próximo ao agressor é mais difícil de desvincular-se, pois ocorre o casamento, os filhos, existe a pressão familiar para que esse relacionamento seja bem-sucedido. Nós precisamos fortalecer essa mulher para que ela consiga romper essa relação. Às vezes o mais importante para ela é entender que ela não pode se manter naquele relacionamento abusivo, se não ela vai continuar sendo vítima reiteradas vezes. ”

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